Grimório

Uma noite com os vampiros

Por Jean Felski em São Paulo

Publicado em 18/01/2023

Uma noite com os vampiros

Eis que meu amigo Julian veio me visitar na fazenda. Todos os preparos foram feitos conforme as regras de nossa sociedade vampírica e ele pode vir de seu refúgio sem quaisquer problemas no percurso. Chegou pensativo, mas no jeito dele:

— Te falar que eu achei que eu iria me cagar todo viajando de avião novamente.

— É o tipo de coisa que não podemos evitar, meu amigo. — Respondi.

— Ah para de frescura, chega mais e leva tuas coisas lá naquele quarto, hoje a noite promete. — Falou Franz, sendo prático e já empurrando praticamente Julian para o seu cômodo.

Ele arrumou seus pertences e passou um tempo no sofá mandando mensagens pelo smartphone. Em determinado ponto Pepe aproveitou pra “gastar” seu inglês e também trocou uma ideia com ele. Perto das 11h30 daquela noite saímos para um evento montado por Franz.

Lugar simpático e com convidados selecionados. Obviamente, a presença feminina era maior, numa escala de 3x1 pela minha avaliação. Sobretudo, o que mais me chamou atenção do lugar, um clube que até onde eu tinha conhecimento estava abandonado, foi a decoração latina. Algo numa pegada meio caribenha, tropical.

— E ai o que acharam do lugar? — Perguntou Franz empolgado.

— Amazing, great… — Acho que Julian repetiu mais meia dúzia de adjetivos e estava vidrado numa negra com pouca roupa que nos recepcionou.

— Incrível Franz. Olha o gringo ali, não sei se ele curtiu mais a garota ou o lugar (risos). Vem cá, isso aqui é novo ne?

— Sim maninho, construíram nos últimos meses, tô pensando em montar um escritório lá nos fundos.

— Hey, pera o lugar é teu? Veja só… achei que só tava por ai vagamundeando!

— Caralho, que imagem a minha heim (risos). Bora lá que tá reservado pra gente

Mezanino ou camarote?

Em seguida, subimos para um mezanino, que era um canto mais reservado com mesas, cadeira puffs e uma parede com prateleiras repletas de bebidas. Então, a cada detalhe Franz nos falava de onde havia tirado ou de onde vinha a ideia…

— Sabe aquele seriado Lucifer, a parede ali de bebidas foi inspirada naquela do apê dele. Essa mesa veio de um bar que eu visitei na Jamaica e os puffs eram de um Iate onde fiz uma festa anos passado em Mônaco. Cara aquela festa foi boa heim!

— Sem palavras Franz, fazia anos que não te via tão empolgado com algo.

Ele apenas consentiu com a cabeça e deu um sorrisinho.

— Muito bom gosto Franz, inclusive aquela preta…

— É a Rita, uma Ghoul minha, já adianto que ela tem sangue quente, meu amigo. Inclusive acho que ela se vira no inglês heimm!

— Fuck yeah, baby! Mas antes toma aqui. O Ferdinand experimentou comigo outra noite e eu trouxe uma misturinha nova pra vocês.

Julian abriu a mochila, dentro havia uma pistola, sua carteira, documentos e o squeeze de metal que ele nos entregou. Diferente da outra essa tinha um aroma forte de canela, no qual ele me instigou a decifrar, após eu gastar um pouco da minha energia ativando o olfato.

A primeira noite seguiu desse jeito, com o Franz contando mais histórias do que pretendia fazer com seu clube, com Julian tentando algo com as funcionárias da casa e comigo curtindo aquela bela misturinha.