Saindo da reunião com um dos mandachuvas da Ordem, eu falei algo qualquer com o Julian e fui para uma torre de vigia. Se não me engano é uma das mais altas e que possui uma vista bacana da região. Fiquei lá sentado na janela pensando com meus botões, desbravei algumas notícias, troquei uma ideia com o povo do Twitter… Até que senti alguém vindo e lá estava a Lili.
- Hey, como me achou aqui?
- Moro aqui há anos e conheço vários esconderijos… Mas um vampiro alto e metidinho a galã quase não chama atenção também, né? Aliás, você arrancou suspiros de umas vagabun… digo, vampiras da Ordem, sabia?
- Ah cara, nem vem com essa se fosse pra eu me perder numas curvas…
Ela me interrompeu, veio por trás, me deu um abraço com força. Depois colocou a cabeça no meu ombro e sussurrou perto do meu ouvido: “Te quero”.
Eu sabia que ia dar merda ficar sozinho com ela, mas a carne é fraca e provavelmente a ruiva lá se pegando com o merda do Jonathan, fez a vampira lembrar que nem tudo são espadas, ou pelo menos que existem outros tipos de “espadas” =X
Algum tempo depois eu estava colocando minha calça e ela estava lá ainda nua deitada em cima das suas roupas e de umas caixas. A visão era ótima, não canso de falar pra ela que seu corpo é perfeito, mas o momento era delicado:
- Putz Lili a gente não devia ter feito isso, cara. E se os sombrosos estivessem por perto?
- Ai relaxa e aproveita o momento, tava com saudades de dar uns pegas contigo!
Enquanto falava, ela se sentou e acendeu um cigarro. Ficou ali me olhando com cara de “quero mais”. Até pensei em “relaxar” como ela disse, mas nosso passado e presente me impedem de ampliar o relacionamento. Ou como eu lhe digo e pode soar um pouco cafajeste à la Franz: “A gente se pega mas não se apega”.
O plano em execução
Enfim, intimidades a parte. Combinei com a vampira que a emboscada precisava de um tempo pra acontecer, ou que se o cusão lá estava muito a fim dela mesmo, isso ajudaria a pôr nosso plano em prática.
Mais algumas noites se passaram, foi um saco a ver dando em cima do vampiro. Foi um tédio ainda maior o ver respondendo as investidas dela, até que numa bela noite o caos começou. E é do caos nós gostamos!
O sol havia se posto a pouco, o laranja ainda se misturava com o roxo e o preto da noite e todos que estavam na ala leste ouviram os gritos da ruiva. Sangue quente e olhos negros, mais os dedos na cara do safado:
- Eu não acredito Jonathan seu filho da puta, me trair com aquela piranha da Lilian!
Coloquei apenas a calça, Julian o short e fomos em direção a briga. Outros se juntaram a nós e obviamente Lilian, no qual tive de segurar pra não acabar com a infeliz ali mesmo.
Tudo ocorreu muito rápido e em instantes a famosa sombra começou a se manifestar e o silêncio vinha ao nosso encontro. Situação que já esperávamos e que terminou rápido com um tiro certeiro na testa da infeliz.
- Porra Trevor, deixava eu arrancar a cabeça dela caralho! – Gritou a Lilian.
Momento trágico, que beirou a comédia se não fosse a consequência dos nossos atos. Jonathan, foi rápido e segurou como pode a sua amante e se concentrou com a cabeça baixa tocando a cabeça ensanguentada da ruiva. Em seguida, para a surpresa de alguns, seus olhos também se enegreceram e ele começou a proferir algumas palavras enquanto olhava diretamente para nós.
Bastou um piscar de olhos e lá estávamos nós em meio ao silêncio. Nenhum pio, nenhum som, nenhum ruído… As coisas também começaram a passar em câmera lenta, mas ainda foi possível ver Kate e Amelia se aproximarem do casal sombroso, provavelmente com a intensão de ajuda-los.
A arma secreta
Enquanto Lilian criava o caos, contatamos Rudolf, aquele mesmo Regrado que meses antes havia nos demando essa missão. Explicamos os ocorridos na África, depois o envolvimento de alguns membros da Ordem.
Ele contatou Salazar e juntos bolamos o plano, que levou a situação que expliquei anteriormente. Fato é que os “sombrosos” encheram o saco de muitos vampiros importantes além da Ordem e Rudolf preferiu vir pessoalmente.
Após o silêncio
Em seguida a aproximação dos quatro sombrosos, o tempo ainda estava diferente, passando em câmera lenta, mas novamente durou pouco. Um flash de luz branca iluminou e quase nos cegou. Apesar disso, dissipou os poderes dos sombrosos e fez o tempo voltar ano normal.
Era Rudolf que surgiu, como Gandalf, o branco, em O Senhor dos Anéis: As Duas Torres. Sua presença iluminou e nos forçou a prestar atenção nele. Um poder que eu já havia presenciado com o barão, meu mestre e que poucos vampiros possuem.
Ele havia nos falado que provavelmente usaria tal poder e na sequência de seus atos foi extremamente rápido, a ponto de somente os sobrenaturais poderem acompanhar seus atos.
Uma estaca no coração de Jonathan e as cabeças das vampiras caindo ao chão, seguidas de seus corpos. Senti que Julian salivou, querendo fazer seu ritual profano com as almas das infelizes, mas por sorte ele se conteve. Se não seria mais um virando sabão.
Um até logo?
Ainda naquela noite incineramos os corpos das sombrosas e Rudolf combinou com Salazar o destino de Jonathan. Fiquei sabendo que ele seria mantido aprisionado pelos regrados, que ainda iriam interrogá-lo para ver se havia mais deles espalhados em outros clãs proeminentes.
- Não acredito que ele escondeu isso de mim por tanto tempo. Filho da puta desgraçado!!! - Comentou Lilian desolada.
Vi sua angústia e tentei trazer o lado bom:
- Nem sei o que te falar, sempre achei ele um merda, mas pelo menos a gente arrancou a erva daninha do teu clã. Quem sabe o Salazar consegue mais uma promoção pra ti?
- Não sei Fê, acho que vou tirar umas férias daqui.
- Quer passar um tempo lá no Brasil? Não garanto que a gente se aguente por muito tempo, mas pelo menos a fazenda é um lugar afastado e seguro. Tem as piadas do Franz, a Pepe, tá meio louca por lá com o meu afastamento, mas ela curte trocar uma ideia contigo…
- Vou pensar Fe, a gente se fala daqui umas noites.
Enquanto eu falava eu fiz um carinho breve em sua nuca. Depois segurei seu pescoço e a puxei pra perto do meu rosto. Dei-lhe um selinho nos lábios e falei um breve “Até logo” olhando em seus olhos. Rapidamente ela olhou para baixo e ficou muda. Entendi que precisava daquele momento sozinha e fui-me.
Julian já estava afoito para vazar dali e naquela mesma noite fomos juntos para seu refúgio na Inglaterra. Fomos recebidos por Megs, que estava doida para saber das novidades da nossa empreitada.