Grimório

Outra noite. E outros sonhos. E outros risos.

Por Jean Felski em São Paulo

Publicado em 09/02/2012

Outra noite. E outros sonhos. E outros risos.

Na noite passada fez uma semana que deixei Stephany com Eleonor e ao contrário do que eu imaginava, eu não sinto saudades. Isso me faz pensar se o segredo de ser o que sou era a pimenta que melhorava o sabor da nossa relação ou se minha cabeça e sentimentos ainda estão confusos por causa de Elizabeth. Então com o intuito de resolver tal enigma que assombrava minha mente, resolvi dar uma “saidinha” com Franz. Franz atualmente vive em uma cabana em meio a uma floresta próxima ao refúgio de nosso clã. Ele vive nesse lugar isolado da humanidade, por que decidiu digamos tirar férias da sociedade. Na verdade acho que ele faz isso, pois ainda não se adaptou muito bem as modernidades de hoje e às vezes é até bom que eu vá lá falar com ele para lhe ajudar a tirar a poeira de sua velha cabeça. Já fazia um bom tempo que eu não ia à “casa do mato”, apelido que demos ao lugar, então a trilha em meio à mata fechada e ainda mais a noite transformava o lugar em algo pouco inóspito. Mesmo assim fui seguindo meu instinto e um pouco antes de chegar a casa eu já podia sentir uma grande energia que provavelmente era emanada por Franz. Dito e feito depois de dar duas batidas a porta lá estava meu irmão. Ele estava com uma bermuda surrada, sem camisa ou calçados e sua barba estava um pouco maior que o normal. Dentro de casa um pequeno lampião a querosene iluminava parte da sala, onde havia um sofá com vários livros espalhados pelo chão. Além disso, em cima da velha mesa da cozinha eu vi o moderno celular que eu havia lhe dado de presente em seu último aniversário e para minha alegria o aparelho estava sendo usado como player de música, haja vista que estava tocando um bom Inflames. Quanto tempo em senhor “Galego” disse-me ele aparentando estar feliz em me ver e isso foi bom, pois eu estava com saudades e precisando de um pouco do seu eterno senso de humor apurado. Ficamos conversando por um bom tempo, coisa de uns 40 min e depois de lhe dizer que tudo que havia acontecido comigo ele tentou me ajudar: - Ferdinand e os problemas com mulher. Tu nunca vai mudar não é mesmo? Quantas vezes eu preciso te dizer que tens de fazer como eu faço? Mano existe muita mulher no mundo pra tu te preocupares com algumas poucas e humanas ainda por cima. Venha vamos lá para o centro da cidade, quero te levar num pub novo que abriu por estas últimas noites. Ainda sabes virar lobo? Depois desse “estimulo”, ainda mais no jeito dele sempre meio desapegado dos problemas eu fui obrigado a aceitar o convite e também nem pestanejei no momento em que ele sugeriu irmos até certa parte do caminho em forma de lobo. Aliás, depois de tantos problemas que tivemos com as roupas, nos últimos anos nós adquirimos mochilas caninas e sempre temos algumas por perto em nos locais que estivermos. Está certo que não é comum ver lobos na América do sul e muito menos usando mochilas, mas no meio do mato a noite ia ser bem difícil encontrar alguém em nossas terras. Antes de chegarmos no centro da cidadezinha e ainda no mato desfizemos a transformação, colocamos as roupas e deixamos as mochilas em um lugar que provavelmente ninguém mexeria até nosso retorno. Devia ser umas 23 horas e o tal pub que ele havia comentado era a uns 15 min a pé. Ao chegarmos ao lugar, obviamente chamamos um pouco de atenção, pois somos altos e com muita cara de estrangeiros. Franz tem muita cara de alemão e seu cabelo é bem mais claro que o meu. Eu apesar de também ter os olhos azuis tenho o cabelo um pouco mais escuro e talvez não seja tão rosa quanto ele. Mesmo com algumas pessoas nos encarando sentamos em umas banquetas próxima do balcão e ficamos por algum tempo batendo papo e ouvindo o bom som do blues que a banda desta noite tocava. O lugar era bem frequentado, muitos casais, muitos grupos de amigos e para nossa alegria muitos grupos somente de garotas. Logo depois que eu terminei de “choramingar” como ele diz, ele me disse mais algumas coisas sobre dar valor ao momento, esquecer os erros do passado e antes que eu pudesse contra argumentar já veio desviando a minha atenção a uma bela ruivinha que lá estava. A garota devia ter pouco mais de 20 anos, vestia uma camisa xadrez que era torturada pela pressão feita por seus belos e volumosos seios. - Mano bem tu podias ter aprendido telecinese com tua primeira esposa heim. Todo mundo ia adora ver aquele pobres botões sendo libertados de tanto esforço. Apesar de ele ter me feito lembrar-se de Suellen eu acabei rindo e entrando em suas brincadeiras. O papo rendeu mais um pouco depois disso e em certo momento, enquanto eu estava apenas “curtindo” o som eu não reparei que ele saiu do meu lado, porém não precisei procurar muito haja vista que ele só tinha um lugar para estar. Dando em cima da tal ruivinha. Fiquei ao longe só admirando Franz praticando o famoso “To dando em cima” e como naquela noite ele estava para o crime, não demorou muito até conseguir estar com suas mãos cheias de dedos nos tais botões sufocados. Depois de alguns minutos em meio a beijos e caricias, ele me chamou para sentar-me junto dele, porém de inicio relutei até que na terceira chamada ele ficou meio chateado e acabei indo. Para minha sorte começava ali uma noite repleta de boas rizadas junto das garotas locais. No fim não fiquei com nenhuma, apesar de não faltarem oportunidades e o mais importante é que ao voltar para casa me dei conta de que sempre existe outra noite. E outros sonhos. E outros risos. E principalmente outras pessoas. Quanto ao Franz? Ele sumiu desde ontem, mas em breve deve dar as cara por aqui para se gabar dos seus novos feitos…