Cada vez que eu fechava os olhos surgiam mais e mais imagens daquela triste cena, triste realidade. Não conseguia dormir, não conseguia me concentrar. Conseguia apenas ficar acordada, tramando milhares de maneiras para entrar naquele local e destruir tudo e todos.
O difícil é que não poderia fazer isso sozinha, precisava de ajuda e não sabia quem poderia chamar. O Trevor e o Ferdinand tinham muito a fazer, aparentemente os outros também. Mas eis que me lembrei, Dani estava de volta de uma longa viagem, quem sabe ele viria ao meu encontro.
- Alô?
- Eu gostaria de falar com o Dani.
- Quem gostaria?
- Lilian…
- Ah ual, me desculpe senhorita Lilian eu não olhei o nome ao atender…
- Tudo bem meu caro, desculpado, chame o Daniel pra mim.
- Sim, claro.
Alguns segundos se passaram e então ouvi a voz do meu querido irmão das trevas, o galã da Ordem. Acho que a moda ultimamente entre as mulheres é careca e barbudo… Será? Enfim…
- Olá minha adorada irmã, a que devo a honra?
- Dani você recebeu meu e-mail?
- Não abri ainda, porque?
- Abre e lê… Preciso da sua ajuda…
- Ok, calma Lili…
Esperei por alguns longos minutos, período este em que observei o quarto barato de hotel à beira da estrada que estávamos. Camas caindo aos pedaços, banheiro fedendo a cloro e um “toc toc” dum cuco antigo. Carlos dormia em uma cama de cobertores improvisada no chão, enquanto eu vestia uma camiseta de banda, shorts, tênis e esperando o que pudesse vir do outro lado da linha.
- Lilian, eu li e me nego acreditar nisto.
- Não é meu caro. Depois nós sobrenaturais somos os monstros.
- Irônico não?
- Dani eu não te liguei apenas para perguntar tua opinião, preciso de ajuda.
- Que tipo de ajuda Lili?
- O local é cercado por vários homens bem armados, eu o Carlos não vamos conseguir dar conta sozinhos. Isso tirando as equipes médicas que lá trabalham, os clientes que frequentam o local e aparentemente escoltados com os seguranças particulares. Preciso de ajuda física aqui.
- Vai ser um prazer minha querida. Levarei os melhores que tenho a disposição. Passe tua localização e em duas ou três noites estaremos ai.
- Mal vejo a hora de chegarem aqui…
- Nos vemos em breve!
Passei todas às coordenadas para o Dani e senti uma faísca de esperança crescendo de novo. Corri acordar Carlos e contei lhe as novidades, ele ficou um preocupado com tantos vampiros próximos as suas terras, mas garanti que nada de ruim iria acontecer com ninguém, não da nossa parte.
- Bom, só posso acreditar na tua palavra, cara pálida.
- Carlos, só de saber que podemos vencer isso e salvar todos, não lhe deixa feliz?
- Isso tudo só me deixa com mais vontade ainda de entrar lá e rasgar muita carne amaldiçoada.
- Então meu amigo, temos os mesmos desejos…
Mal podia esperar até a chegada do Dani, eu sabia do que ele era capaz e com ele a vitória estava praticamente a nosso favor. Bastaria apenas entrar lá e salvar todas aquelas crianças, para quem sabe devolvê-las as suas famílias.
Confesso que esperar e ser paciente não é um dos meus dons, já eram dez da noite do segundo dia e eu estava sentada na cama a espera do Dani. Carlos meditava para a batalha e cantava alguma passagem indígena. Aliás, devo admitir que já acostumada com tais tradições do velho lobisomem, velho de idade, porque fisicamente está de parabéns. Hahaha
Mais algum tempo e ouvi carros parando do lado de fora do hotel, senti uma presença bem conhecida e muito querida por mim. Abri a porta e lá estava ele sorrindo. Aquele sorriso encantador… Trajava a roupa negra de batalha da Ordem, estava careca e com uma longa barba loira, além dos olhos verdes iguais aos meus.
- Não vai vir aqui me dar um abraço Lili? Ou devo chama-la de Barbie? Que rosa todo é esse?
- Para, eu gosto assim! Vem cá seu ridículo!
O abraço do Dani sempre me deu confiança e muita coragem para enfrentar qualquer desafio. Depois de apreciar a presença dele, olhei adiante e fiquei mais animada, vi quem eram os melhores que ele trouxe, Michael, Misiak, Tsuko , Matsuya, Gabriel e Ana Li, simplesmente a equipe A da Ordem.
Não consegui evitar sorrir de ponta a ponta ao ver todos parados ali na minha frente. Carlos saiu de sua meditação e veio ao encontro de todos nós, este recebeu todos educadamente e se apresentou. Sei que todos ficaram admirados em conhecer um Lican antigo igual ao Carlos.
Após todas as apresentações e um plano traçado, estávamos prontos, era hora de invadir o local, salvar e matar. Mal sabiam aqueles desgraçados que alguns Demônios encarnados iriam bater à porta naquela noite.
Lembrei-me imediatamente dos sócios e dos donos do local. Sabia exatamente o que fazer com eles, ou melhor, para quem mandar.
- Sim?
- Hector?
- Eu, quem deseja?
- Não fomos apresentados formalmente, sou a Lilian, não sei se sabe quem eu sou…
- Claro que sei sobre você querida.
- Ótimo, então sabe a missão que estou…
- Sei e confesso que queria ter ido junto.
- Então, que tal se eu te levar um presente daqui alguns dias?
- Lilian não sei que conversa maluca é essa, mas adoro presentes.
- Garanto que vai adorar este, ou devo dizer ESTES presentes.
- Ok, aguardarei.
- Até Hector.
- Até Lilian.