Grimório

Espirito: uma possessão – pt2

Por Jean Felski em São Paulo

Publicado em 25/03/2022

Espirito: uma possessão – pt2

Alguns dias e noites se passaram desde a possessão de Ari naquele humano deslocado. Daquele momento em diante eu foquei meus esforços numa pesquisa acerca da região e obteve alguns resultados. Nada muito relevante se compararmos casos mais cabulosos vistos em tantos outros locais.

  • Ainda nessa?! - Comentou Pepe com ar de curiosa.
  • É… - Olhei  para o nada a medida que o som da letra saia desanimado da minha boca.
  • Nossa Fê que desanimo, vou te ajudar… manda ai o nome da rua.

Ela pegou o endereço e ficou por uns 20 min navegando no smartphone. Ficamos um para cada lado jogados no sofá e quando eu já estava distraído com um seriado qualquer, ela deu um salto empolgada.

  • Olha isso aqui, vou te mandar pera ai…
  • “Ossada encontrada em escavação de terreno é levada para universidade…” Como tu achas essas coisas?!
  • Sorte talvez, mas prefiro dizer que são os termos certos na busca, meu caro!
  • Ótimooo, preciso… aliás você tem cara de universitária ne… Me ajuda nessa?
  • Lá vou eu…
  • Relaxa só precisa dar um pulinho lá e ver se acha os ossos.
  • Ahhh super fácil, vai nessa hahaha!

E lá foi minha pupila por algumas noites no campus da universidade citada na matérias que ela havia encontrado em suas buscas. Do meu lado eu continuei as pesquisas e não havia nada de mais relevante se comparado com esses casos.

Inclusive num dos dias fui dormir meio frustrado pela falta de informações, quando entre um sonho e outro fui possuído.

A possessão nos meus sonhos

“Eu estava numa maca ou cama de solteiro, meus braços e pernas estavam amarrados e por mais força que eu fizesse era impossível se soltar.  A pouca luz que vinha das frestas de uma porta ao meu lado me mostravam um lugar que parecia pequeno, mas seco.

Os minutos se passavam e eu divagava nos meu pensamentos, alguns deles nem eram meus, como se eu tivesse outro passado, sim eu era outra pessoa ali e estava em meio a uma possessão. A lembrança de um garoto negro, perto dos 3 ou 4 anos correndo e brincando dentro de uma casa era nítida.

Uma mulher branca aparecia por vezes e na presença dela o garoto ficava nitidamente com medo. Por vezes ele se escondia dela e por vezes ele apanhava… Senti as pernas formigarem em alguns momentos como seu mesmo estivesse levando a surra dele.

Estive por muitos minutos naquela maca, até que a porta se abriu e uma forte luz iluminasse o lugar. Aquilo me cegou temporariamente, até que em minha frente surgiu uma figura misteriosa, suas feições me lembravam alguém familiar…Em suas mão uma faca grande… Eu tentei falar ou gritar, mas da minha boca não saiam sons, apenas gemidos internos, como se ela estivesse colada…”

Acordei sufocando, como se minha respiração estivesse voltando… como se eu fosse humano novamente… como se eu estivesse sendo sufocado por alguém ao longo da possessão… alguém familiar.