Grimório

Depois do lixo

Por Jean Felski em São Paulo

Publicado em 25/05/2023

Depois do lixo

Eis que o tempo no lixo havia passado e na noite seguinte eu procurei um local mais amistoso. Bairro misto com comércios e prédios residências, muitas pessoas circulando pelas ruas, até perto das 23h e o mais importante: limpo! Por vezes eu vi circulando alguns moradores de rua, mas ninguém que ficasse pela região mais de algumas horas.

Que saudades de uma boa ducha a gás!

A pressão d’água certamente limpou meus poros e os resquícios de quaisquer sujeiras que eu pudesse ter trazido comigo. Inclusive aproveitei o tempo para comprar algumas roupas novas, mas nada que saísse do habitual jeans e camiseta. Outro ponto. Alto daquela noite foi o corte de cabelo e barba.

- Quem é vo… Ah desculpa senhor, pode entrar. – Comentou o porteiro do prédio, achando que eu era outro cara, após a “tosa”.

Gosto de tempos em tempos de mudar um pouco as coisas. Porém, o povo mais humilde, que beira a marginalidade sempre me impulsiona criativamente. Os mais abastados estão sempre preocupados com suas rotinas, seus empregos fixos, família ou roda de conhecidos.

Diferente dos “pé rapados” que não sabem onde vão cair mortos ou como vão ter grana pra comer ou pagar, na melhor das hipóteses, um aluguel. Essa classe precisa ser criativa todos os dias, seja para agir legalmente ou ilegalmente. Tanto nas vendas, como no trato com os outros.

Inclusive, a estratégia de sobrevivência ao longo dos anos, depende muito disso. Pois ter contatos em ambas as classes favorece o relacionamento. Se relacione ou morra! Diria um conhecido meu. Algo que faz muito sentido quando a gente precisa se alimentar, conseguir algo diferente. Principalmente resolver problemas.

Filosofia a parte, a mudança foi benéfica para minha organização mental. Trouxe novos ares e estes agora ajudam a revisar os materiais. Tenho levado a sério quem falou: “Escreva com vinho e revise com café” rss