As mãos ressecadas com dedos tortos, que pareciam galhos de árvores disformes, tocaram seu pescoço e um forte arrepio tomou conta do corpo daquela garota. O medo e a inocência se misturavam e apertavam sua garganta, era difícil respirar e impossível emitir qualquer som.
O aperto das cordas castigava o seu pulso e suas pupilas dilatadas indicavam o pânico por estar presa naquele local úmido, fétido e pouco iluminado. Os tremores vinham a cada toque de seu raptor, que insistia em tocá-la como um animal sedento que fareja o temor e se anima com o temor de sua vítima.
O corpo castigado, pernas, braços e costas. Mãos, pés e pescoço… Pescoço lembrou o raptor, é ali que circula uma veia grande e nela ele pode se alimentar. Será que ela viverá depois de mais uma mordida? Pensou ele por alguns instantes, enquanto admirava o corpo já emagrecido daquela humana.
Sua pele branca e os olhos profundos já indicava um certo stress nos músculos e no fígado. Quem sabe eu deva lhe dar água ao menos?
Mas a dúvida durou pouco e em seguida ele continuou seu ritual profano de alimentação e sugou mais uma parte da vitalidade daquele corpo, agora desfalecido e seriamente comprometido.
Novamente o raptor ia embora e uma pitada de alívio surgia naquela alma. Tremores e calafrios não eram nada perto da insônia e do desafio que ela tinha para tentar descansar. A noite ia-se, mais dores e a convulsão vieram ao seu encontro.
Naquele ponto ela ouviu sirenes, que se aproximavam e iam embora de onde ela estava ao mesmo tempo que situações passadas leh vinham a mente. Inclusive um blog que ela lera sobre seres sobrenaturais.
O que eu fiz para merecer isso? Será que é alguma punição pela curiosidade? Será que alguém vai me ajudar?
A cabeça estava pesada, os barulhos externos, os pensamentos, as dores… Nada mais lhe afetava e sua cabeça desligou algumas funções. Apenas os pensamentos ainda lhe possibilitavam uma viagem que parecia não ter fim.
Veio o desespero final, uma última descarga de adrenalina surgiu em seu corpo e o ar parecia encher novamente os seus pulmões. Seu corpo parecia ser movimentado por forças externas e o balanço indicava algum tipo de movimento.
Luzes e vozes se misturavam aos odores do ambiente. Claro e escuro agora podiam ser sentidos… Como era bom poder sentir os dedos, como era bom sentir algo macio e quente. Como foi bom ter sua alma tocando novamente seu corpo, mesmo que o lugar ainda fosse o mesmo.
Trilha sonora: Kiggler- Fugue State